“O livro é uma carta de alforria.” A frase do poeta Waly Salomão, citada pela escritora Heloisa Buarque de Hollanda no palco da cerimônia de abertura da Festa Literária das UPPs, é perfeita para resumir o que acontece até domingo no Morro dos Prazeres A quarta-feira (7) de Leilane D’Brito começou cedo. Na verdade, começou na terça à noite, quando o cabeleireiro chegou à sua casa e só saiu de madrugada.

“Foi ele quem deixou meus cabelos assim lindos, lisos e loiros”, diverte-se uma das 44 autoras do livro FlupPensa, que reúne contos de escritores de áreas pacificadas e menos favorecidas do Estado.

Depois de tentar dormir um pouco, se levantou, escolheu a melhor roupa e os acessórios mais roqueiros – Leilane é fã de um som pesado – para estar no primeiro dia da FLUPP, no Morro dos Prazeres, onde além de ser estrela, também ajudaria na produção. Às 11h em ponto ela estava lá, mas foi por volta das 16h que a imprensa começou a aparecer. “São muitas entrevistas!”, espanta-se a aposentada, mãe de dois filhos, moradora do Morro da Mangueira. “Um dia inesquecível”, conclui.

Para ela e para as mil pessoas que estavam no Ginásio Experimental Olímpico durante a cerimônia de abertura do evento. Julio Ludemir, idealizador da festa, nem mesmo conseguiu falar. “O Julio não consegue falar, se não chora”, explicou o amigo e diretor do evento Écio Salles.

Era nítida a emoção do criador, que andava de um lado para o outro, observando tudo acontecer, colocando a mão nos olhos para disfarçar as lágrimas que não pôde conter.

Lívia Maria, 11 anos, estudante da rede municipal, veio da Penha para cantar na Orquestra de Vozes Meninos do Rio, uma das atrações da cerimônia de abertura. “Me sinto o máximo por estar abrindo um festa de livros”, diz a menina, fã de Maurício de Souza. “Quando eu leio, eu entro na história”. Já Luiz André, 13 anos, do Morro dos Prazeres, procura mais que livros na FLUPP. “Eu ouvi dizer que vai ter teatro. Quero ver!”.

E ele tem razão. Hoje, às 19h, será apresentada no Casarão do Morro dos Prazeres, a peça “Lima Barreto dos Prazeres”, inspirada no homenageado da festa.

O espetáculo foi montado por moradores da comunidade e tem cerca de 40 participantes. A programação inclui ainda palestra com mais de 30 escritores. Ontem foi a vez de Ariano Suassuna falar no palco de abertura do evento.

Até domingo, a FLUPP promete isso: muita integração, informação e, principalmente, emoção.

E ano que vem tem mais! “Nosso próximo homenageado será Waly Salomão”, revela Écio.

Estiveram presentes o Secretário de Segurança José Mariano Beltrame, a Secretária de Estado de Cultura, Adriana Rattes, o coronel-geral das UPPs, Rogério Seabra, a Secretária Municipal de Educação, Claudia Costin, o antropólogo Luiz Edurado Soares e da pesquisadora Heloisa Buarque de Hollanda.

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