Vasco e Botafogo empatam e caminham para o abismo

Por Tiago Souza em 10/10/2018 às 15:00:00

Quando você pensa em um clássico, ainda mais carioca com todo o charme da Cidade Maravilhosa, tenho certeza que imagina um jogo disputado, com times indo pra cima, torcidas fervorosas competindo para ver quem grita mais alto. Bom? Isso não está de todo errado. Mas não tem sido bem dessa maneira que Vasco e Botafogo têm apresentado seus confrontos. E na última terça (9) houve mais um capítulo da mesma novela: A caminho da Série B.

O jogo

As duas equipes chegaram para esse duelo com a cabeça em uma única e obrigatória opção: VENCER. Para o Vasco, que está batendo na zona de rebaixamento, era uma obrigação ao quadrado. Para o Botafogo era "só" espantar o fantasma dessa "zona do mal". Só (como se fosse simples).

O 1° tempo começou bom. Na verdade, se manteve assim. A animação veio logo no início quando, aos três minutos, Erik abriu o placar para a Estrela Solitária. Mas o juiz tirou o doce da boca da criança. Isso porque Luiz Fernando havia feito a falta ao se apoiar para cabecear a bola que sobrara para o atacante. Houve mais cruzamentos, no entanto, sem efeito. Até que em um passe esquisito para a grande área, Kieza quase se ajoelhou e ajeitou com o peito para Luiz Fernando que bateu de primeira e abriu a contagem. Fernando Miguel - goleiro do Vasco - até pulou, mas sem sucesso.

O time do eterno Garrincha continuou em cima e, de novo, L. Fernando mandou a redonda no travessão após desvio na zaga vascaína. Falando em Vascaína? A equipe cruz-maltina estava acuada, não sabia o que fazer, pelo menos até os 20". Mas a recompensa chegaria só aos 35". Após chute despretensioso de Maranhão, Maxi López conseguiu dominar e, do jeito que ela veio, emendou direto para o fundo da rede de Saulo, que só olhou. Vasco 1 a 1 Botafogo.
A segunda etapa se iniciou da mesma maneira que a primeira: pressão de um lado, o outro tentando aproveitar erros do adversário e, na maioria das vezes, jogadas sem sucesso. Terminou do mesmo jeito que começou: empatado. Um para cada lado e frustração geral.

Fantasminha camarada

O torcedor da Estrela Solitária que está lendo sobre Série B deve estar pensando: "não é comigo". De uma certa maneira, faz sentido. A equipe alvinegra só caiu uma vez em todo campeonato de pontos corridos. No entanto, não é demais lembrar que virou rotina chegar em outubro todo ano perigando, planejando o que fazer, demitindo técnico.

A exceção foi em 2016 com a arrancada que levou a equipe a Libertadores naquela campanha memorável sob comando de Jair Ventura. Nesse ano, restando dez jogos, a diferença entre o "1º colocado" da Zona de rebaixamento e o 12º (que é o Botafogo) é de 14 pontos* apenas.

Sem dúvida, esse será mais um ano de lutar para não cair. E esse "fantasminha camarada" aparece todo ano. Certamente, terá que fazer muito mais para chegar nas últimas rodadas com esse risco sanado, pois o futebol apresentado até agora com Zé Ricardo (foto) é de 4V, 3E, 5D em 12 jogos é fraco para quem quer sobreviver na Série A.

Saudades de você, Série B

Entra ano, sai ano, e o Vasco continua brigando para não cair. É impressionante a fase que já dura alguns anos. Desde 2003, quando foi inaugurado o campeonato de pontos corridos, houve três quedas (2008, 2013 e 2015). E quando não caiu, geralmente brigou para não cair. Fazendo uma conta rápida foram seis campeonatos entre quedas e disputas de Série B. E, se nada mudar, coloque mais este ano na conta, torcedor.

É lamentável o nível que chegou o Gigante da Colina. A política interna do clube está em ponto de ebulição. Não custa lembrar da polêmica eleição de Alexandre Campello fazendo aliança com o icônico Eurico Miranda, de última hora, e conquistando o título de presidente. Também não custa lembrar que no dia 28/09, a juíza Gloria Heloiza Lima da Silva determinou que houvesse novo processo eleitoral após confirmação das denúncias de fraude no pleito. Sem contar que isso reflete no futebol.

Alberto Valentim é o 4º técnico no ano e estamos em outubro. Seu aproveitamento é lamentável. 1V, 3E, 4D em oito jogos. Seguindo a lógica da atual diretoria, alguém duvida que possa haver nova demissão?

Restam dez jogos, 30 pontos em jogo, e o Vasco está a um ponto da zona da degola. Para piorar, tem pela frente confrontos duríssimos contra Cruzeiro, Internacional e Fluminense. O Vasco é grande, mas precisa mudar a mentalidade de time pequeno. Caso contrário, poderá se estabelecer na segunda divisão sem forças para subir. É hora de recomeçar!

*O Ceará enfrentará o Cruzeiro (24). Se vencer ou empatar, a diferença passa a ser de 13 pontos em relação a Chapecoense que estará na zona de rebaixamento.

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