Consequências podem ser físicas e mentais Por Karine Amorim – colaboradora “Nós estávamos em um veículo Uno a caminho de Ibateguara, por volta das 18h30, quando um carro de modelo Fiesta parou em nossa frente e outro veículo, um Meriva, se aproximou do carro em que estávamos. Quando percebemos a situação, uma pessoa começou a efetuar disparos em nossa direção. Pediram para nós sairmos do carro, fomos revistados e, em seguida, levados para uma serra”. O depoimento é do jovem A.A.S.J, vítima de sequestro relâmpago no dia 06 de dezembro de 2011.

Apesar de quase dois anos após o sequestro, o jovem não esqueceu o dia que sua mãe classifica como “dia de terror”. Depois que a família foi vítima do sequestro, outras situações, como andar de ônibus ou em lugares pouco habitados e escuros trazem a sensação de que serão, novamente, próximas vítimas.

“É impossível esquecer aquele dia. Ver a minha família na mira de dois revólveres dá medo. A minha mãe rezava o tempo todo. Temos que agradecer a Deus por nada de mais grave ter acontecido”, relata A.A.S.J. A família, que foi deixada pelos assaltantes no alto da serra, foi resgatada por um veículo que passava próximo ao local.

Noticiários recorrentes sobre o aumento da criminalidade, situações truculentas ou o fato de ter presenciado algum tipo de violência afetam diretamente o comportamento das pessoas.

Casos como o do jovem Nikael Tenório, assassinado na madrugada do último sábado (31), e de outras vítimas da violência, aumentam ainda mais o medo nas pessoas. Deste modo, além das vítimas fatais, a violência pode provocar mudança de comportamento, alterar a rotina das pessoas, e afetar também a saúde, seja em menor ou maior grau.

O psicólogo Tiago Lima, que atua em psicologia clínica e neuropsicologia, explica que o constante “estado de alerta”, no qual algumas pessoas vivem atualmente, depende da personalidade, do fator genético, da forma como a situação é absorvida pela vítima e do meio em que vive.

Violência e a mudança de comportamento

A insegurança e o medo que as pessoas têm de serem vítimas em potencial tem influenciado na mudança de comportamento. Hábitos como ficar na porta de casa conversando até altas horas, ouvir músicas em fones de ouvido em ambientes públicos ou caminhar na rua durante a noite são alguns dos hábitos deixados para trás e que alteram a cada dia o comportamento das pessoas.“As pessoas hoje têm medo de serem surpreendidas, elas se sentem vulneráveis. Estão sempre em estado de alerta”, afirma Lima.

A psicóloga clínica e psicoterapeuta sexual, Leanara Abiorana explica que uma pessoa que desenvolveu o estresse traumático pode desenvolver outros transtornos. “Depois de um estresse traumático, a pessoa pode desencadear o estresse pós-traumático, que acarreta na possibilidade de desenvolvimento de outras comorbidades. Ou seja, vários outros sintomas ou transtornos, como a síndrome do pânico, fobias diversas, como o medo de sair de casa e de estar presente em ambientes com grande quantidade de pessoas”, explica.

Qual é o melhor momento para pedir ajuda a um profissional?

O medo de ser a próxima vítima faz com que algumas pessoas tenham a própria casa como o melhor lugar para se refugiar, e assim, terem maiores chances para evitar um assalto, sequestro ou qualquer tipo de situação que, para ela, atente contra a sua vida.

O psicólogo Tiago Lima explica que a situação se agrava quando os indivíduos, por medo, deixam de trabalhar ou estudar para não ser preciso sair de casa. “Quando o quadro se agrava e as pessoas assumem o estado de hipervigilância, já está sendo prejudicial à saúde do indivíduo. Para esta pessoa, o ideal é um acompanhamento psicológico e uma avaliação de um psiquiatra”, explica.

Lima diz ainda que casos graves, além dos transtornos de ansiedade, podem evoluir para um caso de depressão. “Há casos em que o pensamento negativo começa a ganhar força a ponto de gerar angústias e revelar um quadro de depressão”.

Para Abiorana, o momento de procurar ajuda de um psicólogo acontece quando o indivíduo paralisa as suas atividades e deixa de executar tarefas rotineiras, como sair de casa sozinha ou andar de ônibus. A psicóloga explica ainda que as reações podem ser tanto psicológicas quanto fisiológica. “Devido ao fato traumático, algumas pessoas passam a ter medo, e esse medo faz acreditar que algo ruim vai acontecer. São os pensamentos disfuncionais. É preciso reestruturar esse pensamento”, afirmou.

Sobre a automedicação, Leanara alerta. “Com a facilidade de acesso à internet, é comum as pessoas se auto diagnosticarem, mas é um perigo, ainda mais quando consideramos que existem outros fatores que podem ter desencadeado determinada reação”, finaliza.

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