Foi uma honra conhecer essa mulher que vou apresentar para vocês agora: a Tia Percília. Dona de uma escola que serve como reforço e oferece lazer e alimentação para praticamente todas as crianças da comunidade, Percília da Silva Pereira é moradora do Morro da Babilônia, no Leme, há 62 anos. Oficialmente, ela tem seis filhos, 29 netos, 19 bisnetos e três tataranetos. Mas se levarmos em conta todas as crianças que chamam Percília de avó, o número de netos é incalculável.

Atualmente, a c atende a 175 crianças dos morros da Babilônia e Chapéu Mangueira. A escolinha funciona da seguinte maneira: quem estuda de manhã, vai para lá de tarde; os alunos que estudam de tarde vão para a escolinha de manhã. No prédio de três andares eles fazem aula de ballet, capoeira, violão, xadrez, dança, canto e informática. No intervalo ainda tem uma refeição: café da manhã, almoço ou jantar.

A conversa com essa senhora de 71 anos não poderia ter acontecido em um lugar melhor. Dona Percília me levou para o refeitório. Enquanto ia me contando um monte de histórias, as crianças subiam para comer.

Muito educadas, elas fazem fila para pegar comida, se alimentam em silêncio, depois entregam o prato para uma das cozinheiras e vão embora. Não sem antes pedir a benção para Percília, chamada carinhosamente de avó por quase todas.

A Escolinha Tia Percília existe há 20 anos e surgiu pela necessidade. Muitas mães queriam conseguir uma ocupação tirar as crianças das vielas quando elas não estavam na escola. Elas se organizaram e as crianças passaram a fazer o dever de casa juntas e ficavam na escolinha idealizada por Percília.

Com a ajuda do Hotel Meridién, que fica em Copacabana, e de uma organização da Suécia, o projeto cresceu e hoje á capaz de atender a muitas outras crianças. A escolinha agora é administrada por diretores e tem 11 funcionários. Um grupo com os mesmos objetivos: dias melhores para as crianças da comunidade. A única exigência feita é que eles tenham boas notas.

– Tudo o que a gente oferece é muito bom, mas só entram alunos com notas boas, que querem estudar. Já me sinto realizada com tudo isso, mas acho que vai melhorar ainda mais – explica Dona Percília.

Durante esses 20 anos de trabalho, a escolinha perdeu três alunos para o tráfico de drogas. Dois deles morreram, revela Percília, com tristeza. Para ela, a presença da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) vai ajudar a evitar que esse tipo de situação aconteça.

– Agora que a polícia está aqui isso não vai mais acontecer. O fim dos confrontos também é muito bom para os alunos, as crianças e  todos os moradores. Acabou essa preocupação – diz ela, orgulhosa dos resultados obtidos:- Tenho muitos alunos que já estão casados, na faculdade. Esse resultado do trabalho é gratificante, dá vontade de continuar – finaliza.

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