Quando cheguei no Morro do Cantagalo, na manhã deste sábado, o capitão Nogueira estava na sala dele, ensaiando com os jovens da bateria mirim da escola de samba do Pavão-Pavãozinho como seriam os gritos de guerra do time. Afinal, o dia seria cheio, com várias partidas importantes. Mas ainda faltavam os adversários. Eles estavam chegando, me contou o comandante da UPP na comunidade. Utilizando alguns ônibus cedidos pela Polícia Militar, os comandantes da Ladeira dos Tabajaras/Morro dos Cabritos, Morro Santa Marta e Chapéu Mangueira/Babilônia trouxeram as crianças para a I Copa de Futsal das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

Então fui esperar a turminha chegar. E não foi difícil perceber quando os ônibus começaram a subir. Eles vinham cheios e fazendo muito barulho. O grito de guerra era para intimidar logo na chegada.

Depois que todas as crianças entraram na quadra, o difícil foi organizar todo mundo. Foi quando o capitão Nogueira pediu e todos seguiram para o centro do campo, localizado no Espaço Criança Esperança. Houve a execução do Hino Nacional, cantado por muitas das crianças, e até um desfile da bandeira do Brasil, carregada por um representante de cada comunidade. Depois da cerimônia, era a hora da bola rolar. Confesso que não levei fé na primeira partida e quebrei a cara. Em campo estavam miniaturas de gente, uns meninos super fofinhos, da categoria 5 e 6 anos. Mas bastou o juiz apitar que todos viraram homens e jogaram que nem gente grande. Foi muito legal. A cada gol as torcidas invadiam a quadra para comemorar. Naquele momento, eles eram os “heróis” da comunidade.

Nas arquibancadas, além dos técnicos, estavam os comandantes. Antes da bola rolar, conversei com todos que, claro, apontavam as suas comunidades como favoritas. Eles diziam que só tinham trazido craques. Foi muito legal ver a capitã Priscilla, do Santa Marta, vibrar a cada gol, elogiar o desempenho dos baixinhos dela e conversar com aqueles que tinham ficado tristes com a derrota.

Foi muito bom ver o respeito dos meninos e meninas com o capitão Felipe, do Chapéu Mangueira, antes das partidas. Algumas crianças dele chegaram até a colocar a boina da PM.E foram muitas as partidas, em diversas categorias. O campeonato durou quase o sábado todo. As torcidas ficaram em cantos separados e com gritos de guerra incentivavam os jogadores em quadra. Depois de muitos chutes e carrinhos, muito choro um montão de gols, quem saiu comemorando foram os jogadores da casa.

Aproveitando o fator campo, o pessoal do Pavão-Pavãozinho venceu em três das seis categorias e se tornou o grande campeão do torneio. Mas, honestamente, na minha humilde opinião, todos saíram vencedores. Foi uma manhã de paz para menino e meninas que passaram grande parte da infância sem esperança de uma vida melhor.

E que agora têm a oportunidade de representar a comunidade em outras favelas, gritar, comemorar, torcer sem nenhum tipo de intimidação. Todos saíram ganhando. E quem sabe não pode sair dali um grande jogador. Eu, se fosse empresário de futebol, prestaria atenção em alguns…Veja todos os campeões:

  • Categoria: 5 a 6 anos – Campeão: Ladeiras dos Tabajaras / Segundo: Santa Marta / Terceiro: Chapéu Mangueira
  • Categoria: 7 a 8 anos – Campeão: Santa Marta / Segundo: Chapéu Mangueira / Terceiro: Ladeiras dos Tabajaras
  • Categoria: 9 a 10 anos – Campeão: Pavãozinho / Segundo: Ladeiras dos Tabajaras / Terceiro: Chapéu Mangueira
  • Categoria: 11 a 13 anos – Campeão: Pavão-Pavãozinho / Segundo: Santa Marta / Terceiro: Ladeiras dos TabajarasCategoria: 14 a 16 anos – Campeão: Pavãozinho / Segundo: Chapéu Mangueira / Terceiro: Ladeiras dos Tabajaras
  • Categoria: Feminino – Campeão: Ladeiras dos Tabajaras / Segundo: Santa Marta / Terceiro: Pavão-Pavãozinho

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