O Morro do Salgueiro está em paz. Sem dificuldade, a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) se instala e o capitão Plínio César de Macedo já começa a pensar no futuro. A boa imagem do projeto, sucesso em outras comunidades do Rio, aliada à excelente receptividade dos moradores está facilitando o trabalho. Logo na primeira reunião, antes mesmo da inauguração, um encontro reuniu 150 moradores, representantes de setores como o transporte e o comércio, moradores antigos e membros da associação de moradores se reuniram com o capitão comandante da UPP e com o secretário de Estado de Assistência Social, Ricardo Henriques. A presença de tantos moradores pegou Plínio de surpresa.

O capitão esperava conversar com apenas 10 pessoas, como acontecia nas outras comunidades. E foram vários os pedidos feitos pelos moradores.

O mais importante para eles seria, inicialmente, revitalizar o imponente prédio onde funcionava a Fundação Leão XIII.

Localizado na entrada do Salgueiro, no local os moradores tinham atendimento médico, dentário e de um psicólogo, creche para as crianças e aula de reforço e ainda encaminhava as pessoas para trabalho. Mas o tempo foi passando e as trocas de tiros assustaram os funcionários. O serviço parou de funcionar e o prédio foi abandonado há 10 anos.

Localizado de frente para a principal entrada do Salgueiro, o prédio serviu durante algum tempo como ponto de observação do tráfico. Depois, com a degradação e a sujeira, nem os bandidos frequentavam mais o prédio, que passou a receber apenas os viciados em crack. Conhecidos na comunidade como craqueiros, eles dominaram o prédio e roubaram tudo o que ainda tinha lá dentro.

Atualmente a Fundação Leão XIII se resume a uma salinha dentro da associação de moradores.

O atendimento já não é mais o mesmo. Segundo Vivaldina Sampaio Dantas, conhecida como Dona Dina, todos os moradores estão com esperança de que com a chegada da polícia pacificadora o prédio vai voltar a funcionar.

Era muito bom esse prédio, mas já tem uns 10 anos que está parado. Tinha até um salão para as festas, onde aconteciam bailes para os moradores. Poderia reviver – torce ela.

Enquanto o prédio não renasce, outros serviços já começaram a procurar o capitão Plínio para entrar no Salgueiro. A Comlurb, por exemplo, já colocou novos latões de lixo e está estudando uma forma de melhorar a coleta na comunidade. Uma necessidade urgente segundo os policiais.

Caminhando pelas vielas, eles garantem que o morro está com muita sujeira. O capitão Plínio também estuda fazer um evento para conscientização dos moradores.

Quem também procurou a UPP foi a Rioluz, que planeja melhorar a iluminação no Morro do Salgueiro. E alunos de medicina da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que no dia 27 de novembro vão fazer o evento Tocando Saúde, com atendimento principalmente para as crianças.

As ideias aparecem naturalmente. A comunidade aqui é muito criativa, isso é histórico no Salgueiro. Os trabalhos já começaram – garante o capitão Plínio.

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