A presença de muitas crianças marcou a inauguração da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro do Borel, nesta segunda-feira. Eram cerca de 50 alunos da creche, da escola e do Ciep Doutor Antoine Magritos Torres Filho que fizeram a maior bagunça e trouxeram alegria para um evento que muitas vezes é monótono.

“Como eu gosto muito de criança, fiz questão de conversar com várias delas. Todas muito fofas, me contaram que estão felizes com a chegada da polícia ao morro. Agora, elas têm liberdade para brincar até a hora que quiserem, podem andar sozinhas pelas ruas e vielas e não convivem mais com o medo de a qualquer momento serem surpreendidas por um intenso tiroteio. E os meninos e meninas fizeram questão de agradecer. Quando o governador Sérgio Cabral chegou, elas fizeram a maior festa, deram abraço, puxaram, elogiaram, agradeceram.  Mas foi depois da cerimônia que os pequenos conseguiram me surpreender mais ainda. Primeiro quando um grupo de crianças formou uma fila na frente dos novos soldados da UPP, que estavam em formação. Elas passaram, apertando a mão de cada um dos policiais, dando as boas vindas para aqueles homens que agora são os responsáveis por cuidar da segurança delas.”

Mas a surpresa maior ainda estava guardada. O comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), coronel Paulo Henrique, estava no palco dando uma entrevista quando uma criança se aproximou e pediu um autógrafo.

Como assim? Um policial, do Bope, dando autógrafo para uma criança dentro de uma favela? Realmente os tempos são outros. E como se fosse um artista da televisão ou um jogador de futebol, Paulo Henrique distribuiu vários autógrafos.

As crianças apareciam de todos os lugares. Ofereciam as camisas, as mãos e o coronel atendia a todos com uma enorme alegria. Ao invés de assinar o próprio nome, Paulo Henrique escrevia Bope. E as crianças saiam alegres, como se tivessem conversado com um ídolo. Para crianças que passaram a vida inteira tendo como ídolo apenas o chefe do tráfico, aquele que anda com as melhores motos (roubadas) e está sempre com as mulheres mais bonitas da favela, a presença do comandante do Bope representa quase um super-herói. Talvez essa seja a imagem que ele passa. A de alguém que veio para salvar o futuro daquelas crianças.

Depois da farra, elas voltaram para as salas de aula. Todas muito bem comportadas, controladas pelas atentas professoras, que não tiravam os olhos das crianças. Aliás, a diretora do Ciep também me emocionou quando começou a chorar durante o discurso. Ela estava falando que participou da inauguração da escola, há 18 anos, “roeu muito o osso” e agora queria “comer o filé”.

Com certeza, naquele momento, muitas lembranças se passaram na cabeça de Lenita de Souza Vilela. As muitas vezes que precisou cancelar a aula porque as crianças não conseguiram ir para o Ciep. As histórias de horror contada pelas crianças e pelos pais delas. As brigas de facções imaginárias durante o recreio.

As brigas entre meninos que moram em favelas que antes pertenciam a facções rivais. E muitas outras histórias que só elas, as bravas e guerreiras professoras, já passaram. Agora é aproveitar. A presença da polícia vai melhorar a vida daqueles meninos e meninas. Com mais tranqüilidade, o estudo vai melhorar e as notas vão subir. O futuro será melhor…

Para não deixar passar em branco, o evento contou com a presença de comandantes da polícia, políticos e a cúpula da segurança pública. Nas entrelinhas, foi anunciado que a próxima UPP também será na Tijuca e até o fim do ano todo o maciço estará em paz. Três são as opções: Andaraí, Salgueiro e Macacos. Vamos esperar novidades, ainda para esta semana…

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